Fábrica recebeu mais R$ 700 milhões do plano de investimento e fará 4 novos modelos até 2012, um deles ainda este ano

A fábrica da General Motors em São Caetano do Sul (SP) vai produzir quatro novos modelos até 2012. Um deles, provavelmente um utilitário-esportivo que será totalmente desenvolvido no Brasil para lançamento daqui a dois anos, também será feito na Indonésia e em outro país da Ásia, seguindo a tendência dos chamados carros globais.

Para desenvolver e produzir esse veículo, a montadora destinou à unidade mais R$ 700 milhões, concluindo assim a divisão do programa de R$ 5 bilhões de investimentos anunciado para o período de 2008 a 2012. “Por enquanto, estamos utilizando apenas nosso fluxo de caixa, mas já temos pré-aprovados recursos (de bancos públicos) aos quais poderemos recorrer, se necessário”, disse o presidente da GM do Brasil, Jaime Ardila.

Com esse aporte, a fábrica do ABC paulista ficará com a maior parcela do plano quinquenal do grupo (R$ 2,05 bilhões). O primeiro produto resultante desse investimento será lançado nos próximos meses. Trata-se da picape derivada do Agile.

A unidade emprega hoje cerca de 10 mil trabalhadores e novas vagas devem ser abertas ao longo dos próximos meses, mas a GM não informou números.

Os outros modelos a serem feitos em São Caetano são dois sedãs. As apostas do mercado são para mais um derivado de Agile e o Cruze, que deve substituir o Vectra. A montadora produz na unidade os modelos Astra, Vectra e Classic e tem capacidade para 220 mil veículos ao ano em dois turnos, hoje toda ocupada, segundo Ardila. Com o investimento, a capacidade será ampliada para 280 mil automóveis.

Ao todo, a GM planeja oito novos modelos até 2012, quando concluirá a renovação da gama de produtos. A fábrica de Gravataí (RS) ficou com R$ 1,4 bilhão do plano de investimento e produzirá dois novos carros, um deles o substituto do Celta. A unidade de São José dos Campos também fará dois novos modelos, com R$ 800 milhões. O restante será gasto no Centro Tecnológico de São Caetano, no Campo de Provas de Indaiatuba e na fábrica de peças de Mogi das Cruzes.

A GM do Brasil é a terceira maior operação do grupo, depois dos EUA e da China. Mesmo no auge da crise da matriz ? que há um ano pediu concordata e voltou a operar no azul após reestruturação ?, a filial foi liberada de enviar dividendos e pôde reaplicar seus ganhos no País. “Este é o nosso quarto ano seguido de lucro”, informou o vice-presidente José Carlos Pinheiro Neto, que não revela números.

Mercado. Ardila projeta que as vendas totais em maio devem ficar entre 245 mil e 250 mil veículos, queda de 10% a 12% sobre o mês anterior, que já foi 21,5% menor que março, mês recorde, com 353,7 mil unidades. “Abril e maio foram menores em vendas do que projetávamos, mas trata-se de uma ressaca após o fim dos benefícios”, diz o executivo. A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que vigorou por mais de um ano, terminou em 31 de março.

Ardila diz que, a partir de junho, as vendas vão se situar na casa de 260 mil unidades ao mês e que o ano fechará com 3,3 milhões de veículos. Sua projeção é um pouco abaixo daquele feita pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), de 3,4 milhões.

Ardila viu “com espanto” a notícia de que a Vale vai reajustar em 35% o minério de ferro em julho. Segundo ele, montadora e fornecedores pagaram este ano aumentos de 20% a 30% no aço. “É impossível absorver esses custos. Quem vai pagar a conta é o consumidor.”

Fuente: o Estado do S. Paulo. (01/06/2010).