SÃO PAULO – A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) reiterou que o setor deve crescer 8,2% em 2010, apesar da queda de 21% na venda de veículos registada em abril passado, na comparação como mês anterior, quando houve o término da isenção do Imposto sobre Produtos industrializados (IPI) para a compara de carros. A produção também viu um recuo de cerca de 14% no mesmo período, após uma série de meses em que ocorreram recordes consecutivos.

“Apesar do fim do IPI, que ocasionou esse recuo, o cenário tende a se estabilizar nos próximos meses”, afirmou Cledorvino Belini, presidente da Anfavea ao colocar que o cenário econômico brasileiro favorável, incluindo a avanço da confiança do consumidor e boas condições de financiamento, devem garantir a “recuperação gradual do setor”, como disse.

No total a Anfavea espeta que sejam vendidos no Brasil cerca de 3,4 milhões de veículos em 2010, além de prever um ampliação de mais de 11% nas exportações. “As outras economias também começaam a se recuperar”, colocou Belini.

Elevação

O presidente da Anfavea admitiu que as montadoras podem elevar os preços dos automóveis ainda este ano como resultado do aumento de custos, que será provocada nos próximos meses em decorrência do reajuste dos preços do aço, bem como do fim do redutor de 40% do Imposto de Importação de autopeças, anunciado pelo governo ontem. “As empresas provavelmente terão que repassar os custos aos consumidores”, afirmou.

A frase foi dita após apresentar os números do setor no mês de abril, em São Paulo, mas Belini preferiu não estimar de quanto pode ser o aumento no preço dos automóveis. “Não existe um número mágico. Cada empresa vai definir a sua política.” O presidente da Anfavea afirmou que a pressão das siderúrgicas tem sido grande e as negociações, difíceis. “O aço é um problema. Vamos perder competitividade nos mercados interno e externo. Esse é um tema sensível, que coloca o Brasil em posição desfavorável.”

Quanto ao redutor do imposto de importação, ele alertou novamente para o risco de a medida gerar uma elevação nas importações dos veículos que têm grande parte de suas peças compradas no mercado externo.

Para ele, a medida também poderá reduzir o déficit na balança comercial das autopeças.

Fuente: DCI (07/05/2010).