A agitação entre montadoras e fornecedores de componentes é temporária, em reflexo ao incentivo ao IPI, ou sinaliza uma retomada para valer da produção?

Paulo Cardamone, vice-presidente da CSM Worldwide, consultoria especializada em planejamento estratégico para a indústria automobilística, está otimista. Para ele, o setor automotivo já está acelerando e o ano será bom para o Brasil, dentro do quadro geral de baixa no planeta.

Cardamone reafirmou a Automotive Business a confiança nas suas previsões para o mercado brasileiro de veículos leves e pesados. Ele antecipou uma melhora nos cenários, estimando vendas de automóveis e comerciais leves da ordem de 2.580 mil unidades este ano. A queda em relação a 2008 seria de apenas 3%.

Ele entende que os emplacamentos no primeiro trimestre devem se aproximar das 600 mil unidades, ou 4% a mais do que no ano passado.

Segundo a consultoria, as vendas de automóveis e comerciais leves devem atingir 2.581,8 mil unidades este ano, com uma queda de apenas 3% em relação a 2008. O primeiro trimestre pode superar as 595 mil unidades, resultado inferior em 4% ao mesmo período de 2008.

A produção de veículos leves completos deve atingir 2.720 mil unidades, resultado 4,8% inferior ao de 2008. No segmento de caminhões e ônibus as vendas internas são estimadas em 140,8 mil unidades, 6% menores que em 2008. A produção prevista é de 167,9 mil unidades, 16% menor que 2008, sob o impacto da redução do volume de exportações que pode ser da ordem de 45% este ano.

Estimativas do Sindipeças e montadoras

Estudo recente do Sindipeças mostrou que a produção total este ano deve chegar a 2,69 milhões de veículos, 16% a menos do que em 2008 (3,22 milhões). As vendas ao mercado interno dos veículos produzidos no país ficarão em 2,23 milhões de unidades (2,44 milhões em 2008) e as exportações serão de apenas 466 mil unidades, contra 735 mil no ano passado.

Para chegar a esses resultados, o Sindipeças avalia que a produção no primeiro trimestre ficará ao nível de 602 mil unidades, ou 24% menos do que no mesmo período de 2008. Segundo ainda as estimativas da entidade, as vendas ao mercado interno de veículos nacionais devem ser de 512 mil unidades (567 mil no primeiro trimestre do ano passado) e as exportações devem ficar em apenas 90 mil veículos (metade do primeiro trimestre de 2008).

O superintendente da Fiat Automóveis, Cledorvino Belini, projeta vendas de pelo menos 2,5 milhões de automóveis e comerciais leves este ano, o que representaria uma redução de 6,4% em relação a 2008.

Já o presidente da GM para o Mercosul, Jaime Ardila, está menos otimista: calcula que as vendas totais ficarão ao redor de 2,4 milhões de unidades, refletindo uma queda de 15% em relação a 2008. A produção ficaria ao nível de 2,8 milhões de unidades.

IPI leva a novos cálculos

Todos os cálculos sobre vendas e produção devem que ser revisados a partir de 31 de março, quando o governo revelará se continuará ou não a dar estímulos à comercialização de veículos por meio da redução do IPI.

Informações que vazaram recentemente dos ministérios indicam que haverá prorrogação, mas não há certeza sobre a duração do estímulo e se o conteúdo do novo programa repetirá o incentivo atual, que zera o IPI para veículos com motor de até mil cilindradas (o normal são 7%) e reduz à metade a alíquota de 13% para os veículos com motor de mil a duas mil cilindradas movidos a gasolina. Automóveis de luxo, com motores acima de 2.1 litros, pagam 25% de IPI. Nos carros a álcool a alíquota de 11% caiu à metade. 

Fuente: Automotive Business (09/03/09)