A Mercedes-Benz anunciou ontem férias coletivas para todos os trabalhadores das linhas de produção de caminhões e ônibus de São Bernardo do Campo. A medida atinge 7.000 funcionários, dos quais quase 2.000 tinham férias vencidas e param por um período mais extenso do que os outros.

A montadora diz que a medida é necessária para ajustar a fabricação à demanda pelos veículos. Os empregados interrompem a produção no dia 23 e retornam em 4 de março. É a segunda vez desde o fim de 2008 que a Mercedes-Benz para a unidade. Entre 15 de dezembro e 4 de janeiro, a empresa havia concedido férias.

A montadora tem três unidades no Brasil. Também haverá férias coletivas em Juiz de Fora (MG) entre os dias 23 e 6 de março -a indústria havia parado em dezembro durante 30 dias. Em Campinas, cidade que concentra os serviços de pós-venda da montadora, não haverá interrupção do trabalho, de acordo com a Mercedes-Benz.

A montadora afirma que não há outras medidas, como demissões e reduções de salário, em estudo. Segundo a empresa, a medida é suficiente para adequar o volume de produção.

De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, o acordo visa evitar demissões, como ocorreu na Volkswagen, na Scania e na Ford -também no ABC. Integrante da comissão de fábrica na Mercedes e diretor do sindicato dos metalúrgicos, Walter de Souza Filho disse que o acordo foi fechado anteontem à noite. “Sentimos dentro da fábrica que o acordo era necessário”, afirmou.

O mercado de caminhões e ônibus registrou queda de 26,68% em janeiro em relação a dezembro. Na comparação com o mesmo mês de 2008, as vendas caíram 18,8%, segundo dados da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores).

No segmento de veículos, apenas as vendas de automóveis cresceram em janeiro contra dezembro, com alta de 5,11%, impulsionadas pela queda no IPI. O setor de caminhões teve declínio de 24,45%, enquanto o segmento de ônibus passou por retração de 35,33%.

Perdigão

A Perdigão também anunciou férias coletivas ontem. Serão 1.520 trabalhadores da unidade de produção de aves e ração em Dourados (220 km de Campo Grande, MS). Desde o início do mês, é a terceira unidade da empresa em que essa medida é adotada.

Outras duas plantas de aves da Perdigão, no Rio Grande do Sul, totalizando 2.900 funcionários, tiveram a produção interrompida para “adequar a produção à demanda”.

A assessoria de imprensa da Perdigão descreveu a medida como “parada técnica” destinada a reduzir estoques. Em dezembro, a Abef (Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos) citou os efeitos da crise global para justificar a revisão de sua estimativa de exportações para 2008: 3,6 milhões a 3,7 milhões de toneladas -as estimativas anteriores eram de 4 milhões de toneladas.

Fuente: Folha de S. Paulo (06/02/09)