O ministro do Emprego e Trabalho, Carlos Lupi, insinuou que as demissões feitas pelas montadoras de automóveis no início deste ano podem impedir que o governo renove a medida que propõe a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros novos, que vigora até 31 de março. “Acho que esse setor precisa pensar muito antes de demitir os funcionários. Porque a redução do IPI é feita pelo governo e o governo vai refletir muito sobre o comportamento das empresas na hora de renovar ou não a redução do IPI”, disse o ministro.

O ministro entende que a renovação da redução do IPI é importante para que as vendas sejam retomadas de forma definitiva, o que só pode acontecer a partir de março. Porém ele deu a entender que a renovação da medida só deve acontecer se houver uma garantia da manutenção dos empregos no setor, o que seria uma tentativa de o governo evitar mais demissões na indústria automobilística. “O governo não tem como evitar as demissões; mas acho que o governo deve adotar medidas de não conceder crédito (dinheiro público) para quem está demitindo”.

Desde janeiro, um mês após a redução do IPI para as compras de carros zero quilômetro, o ministro adotou o discurso de que o governo não deve amparar setores que não medem esforços na hora de demitir os funcionários. Lupi destacou que a linha de crédito especial para revendedoras de carros usados e seminovos, a ser anunciada quinta-feira, terá garantia de emprego. Administrados pelo Banco do Brasil, os recursos são provenientes do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Segundo Lupi, a nova linha terá um montante inicial de R$ 200 milhões. A demanda do setor é de R$ 2,5 bilhões.

Medida inteligente

O ministro demonstrou apoio a decisão da General Motors (GM), que voltou a conceder férias coletivas a trabalhadores de São Paulo nesta semana, pela sétima vez em apenas quatro meses de crise. Tal atitude, disse o ministro, mostra que a empresa está “pensando” nos benefícios que recebeu do governo antes de demitir os funcionários. “É uma medida inteligente para evitar as demissões. A empresa concede férias coletivas ao trabalhador quando os estoques se elevam e volta a chamá-los quando os estoques começam a reduzir”, disse.

Segundo o ministro, as empresas vão começar a contratar porque os estoques caíram por conta da reação das vendas. Em janeiro, as vendas de automóveis cresceram 5,1% na comparação com dezembro último, amparadas pelas medidas de incentivo implementadas pelo governo há dois meses. Na comparação com janeiro de 2008, entretanto, a comercialização recuou 6,74%, revelou anteontem a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), que atribuiu o resultado à redução de impostos como IPI e IOF e a criação de linhas de crédito em bancos públicos.

Dentre as alterações do IPI, o governo reduziu a alíquota de 7% para zero para carros populares, de até mil cilindradas. Para automóveis entre mil e duas mil cilindradas movidos à gasolina, a alíquota caiu de 13% para 6,5%. Para carros flex (bicombustível) e movidos à álcool, a alíquota recuou de 11% para 5,5%.

Fuente: Gazeta Mercantil (06/02/09)