Crédito restrito e exportações prejudicadas pela retração da economia mundial deram o tom ao desempenho negativo da indústria em dezembro. Diante desse cenário, lideram as perdas os bens duráveis (queda de 34,3% ante novembro) e os bens de capital (-22,2%), segundo o IBGE.

Em dezembro, a queda setorial mais significativa veio de veículos automotores (-39,7%), seguida por máquinas e equipamentos (-19,2%) e material elétrico e de comunicação, que caiu 48,8% sob impacto da menor produção de celulares.

Apenas 2 dos 27 setores escaparam do cenário de contração da indústria e registraram expansão. São eles: celulose e papel (0,4%) e outros equipamentos de transporte (6,7%) -devido à produção de aviões comprados antes da crise.

Para Isabella Nunes, coordenadora da pesquisa do IBGE, a queda de mais peso foi a de veículos, especialmente por causa do forte encadeamento desse setor com outros, cuja produção também cedeu em dezembro -entre eles, estão borracha e plástico (-20,1%) e metalurgia (-18,3%). Afetado por altos estoques mesmo antes da crise, o setor automobilístico sucumbiu diante da escassez de crédito e da redução da confiança dos consumidores.

No acumulado de 2008, porém, o setor ainda registrou crescimento de 8,2% e foi o que mais contribuiu positivamente para o desempenho da indústria no ano passado.

“Nunca antes vimos um choque de atividade e emprego ao mesmo tempo nessa magnitude. É uma prova do que um corte de crédito pode fazer numa economia”, diz Sérgio Vale, da MB Associados.

Segundo o IBGE, até setembro o Brasil gozava da terceira maior taxa de crescimento da produção industrial entre os países com parques fabris maduros do mundo -atrás apenas da Coreia e da China. Tal expansão, porém, foi abortada pela crise, e a indústria brasileira já registra quedas até mais fortes do que países da Europa.

Antes líder do crescimento, o setor de máquinas e equipamentos viu sua produção cair pela primeira vez desde a agudização da crise, em setembro.

Para Bráulio Borges, da LCA, a atual situação fiscal do país permite ao governo cortar juros e elevar investimentos.

Fuente: Folha de S. Paulo (04/02/09)