O BNDES pode liberar recursos para ajudar montadoras no Brasil. Hoje, o presidente do banco reúne-se com representantes do setor. A Ford teve prejuízo de US$ 14,5 bilhões em 2008, o maior em 105 anos de história.

 O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, se encontra hoje, em São Paulo, com os representantes da indústria automobilística para discutir medidas de apoio. Se o pacote de estímulo for fechado, será o segundo banco público a socorrer o setor. No fim de 2008, o governo injetou, via Banco do Brasil (BB), R$4 bilhões nos bancos das montadoras.

Os pontos a serem discutidos não foram divulgados, mas há questões que vêm sendo tratadas há algum tempo e que certamente serão abordadas. Entre elas, o pleito de fabricantes de ônibus e caminhões para que o BNDES financie integralmente esses veículos, e não apenas 80% de seu valor, como atualmente.

O programa do BNDES para caminhoneiros autônomos (Moderfrota) é outro forte candidato a entrar na pauta. E a criação de uma linha específica para financiar exportação de veículos fabricados no Brasil também deve ser discutida hoje. Perguntado sobre a possibilidade de criar algum tipo de contrapartida para evitar demissões no setor, o presidente do BNDES foi taxativo:

– Gostaria de dissuadir o empresariado de tomar medidas exageradas em relação ao desemprego. Vamos buscar induzir a sustentação do emprego com estímulos positivos, não punitivos.

 

Dados da CNI apontam para o pior trimestre desde 99

Segundo o BNDES, os financiamentos de 2008 ajudaram a criar 2,8 milhões de novos empregos. Foram desembolsados no ano R$92,2 bilhões – alta de 42% em relação a 2007 – e aprovados R$121,4 bilhões. Se a crise se agravar e o setor bancário não voltar a conceder crédito, o banco poderá chegar a desembolsos de R$110 bilhões e R$120,8 bilhões, este ano, segundo Coutinho. Para 2009-2012, os investimentos podem chegar a R$1,305 trilhão.

Também ontem a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou que a indústria brasileira registrou, no último trimestre de 2008, o pior desempenho dos últimos dez anos. O indicador de evolução da produção ficou em 40,8 pontos, o menor desde o primeiro trimestre de 1999, contra 57,8 pontos na pesquisa anterior. Como resultado, houve muitas demissões. O indicador de emprego caiu de 54,4 pontos no terceiro trimestre de 2008 para 44 pontos nos três últimos meses do ano. A utilização da capacidade instalada também registrou uma queda de 4 pontos percentuais, de 78% para 74%.

Fuente: O’Globo (30/01/09)